1. «O Governo conta com as freguesias e conta com todos os presidentes de junta de freguesia» – Miguel Relvas, no Congresso Nacional das Freguesias.
Esta conversa é típica das empresas em situação de pré-falência. A administração reúne-se com os trabalhadores, diz que conta com todos, sem excepção, e passado pouco tempo começa a despedir pessoal. Quando, ainda por cima, estas palavras saem da boca de um desbocado como este ministro, autêntica picareta falante, está-se mesmo a ver o que valem...
2. Dito isto, concordo que o número de freguesias deve diminuir substancialmente, porque não é aceitável que nalgumas, de tão pequenas que são, grande parte do dinheiro seja para pagar senhas de presença.
Agora, não basta reduzir o número de juntas de freguesia. É preciso fazer o mesmo com muitas câmaras, que também não têm dimensão e também gastam muito dinheiro em senhas de presença, automóveis e empregos para amigos. Sejamos «capazes de mudar» o que importa e que «não fomos capazes de mudar no tempo certo», em vez de nos limitarmos a fazer operações de cosmética, em que só muda a aparência, para que o essencial fique na mesma.
3. Esta reforma da administração local «não preconiza um modelo adequado à realidade social portuguesa, não garante ganhos de eficácia e não respeita a vontade das populações».
As duas primeiras afirmações carecem, elas próprias, de confirmação. Na verdade, nada nos garante que sejam mudanças positivas, nem o contrário. Pela simples razão de que ainda não foram feitas. Não há que ter medo de fazer coisas, só porque se pode errar. Muito do conhecimento humano é feito de tentativa e erro. Quando se está mal, é melhor fazer alguma coisa do que deixar tudo na mesma. Ou não?
Quanto à «vontade das populações», é preciso ter alguma lata para as invocar, quando elas não se manifestam. Tenho visto muita gente protestar contra a introdução de portagens ou o fecho de centros de saúde, mas relativamente à eliminação de juntas de freguesia, nicles batatóides. Estes senhores autarcas barafustam, como barafustaram os governadores civis, porque são uns tachitos que se vão perder. Quanto às populações, o que elas estão é fartas de alimentar tanta gente que não quer trabalhar, o resto é conversa.
* «Se quisermos que as coisas permaneçam como estão, tudo deve mudar» – frase célebre do romance de Giuseppe Tomasi di Lampedusa «Il gattopardo» («O leopardo»).
Madrugada de 25 de Abril de 74, parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém: "Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!" – Salgueiro Maia. Todos os 240 homens formaram de imediato.
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