quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Política (rasca) à portuguesa


Sexta, 7 – Demonstrando uma minúscula imaginação e um – isso sim – enorme desprezo por quem o pôs “lá”, o governo decide que os trabalhadores é que devem financiar as empresas. Mata assim dois coelhos – infelizmente, nenhum é o “tal”… – com uma cajadada:
  1. Diminui a TSU, para ajudar as empresas, que precisam urgentemente de financiamento e não o conseguem encontrar junto de quem supostamente o deveria prestar – os bancos;
  2. Aumenta os impostos sobre os trabalhadores, com o objectivo, há muito confessado pelo todo-poderoso – e muito bem pago – consultor Borges/Sachs, de baixar os seus rendimentos, para que o consumo continue a diminuir e, desta forma, a economia “ajuste” mais rapidamente.
Sábado, 15 – O roubo é de tal forma escandaloso que os portugueses saem finalmente da sua letargia e vão para a rua protestar em massa.
Domingo, 16 – Oportunista, como sempre, Portas aproveita para dar uma facada nas costas do primeiro-ministro. Querendo o melhor de dois mundos, manifesta-se solidário com o povo espoliado, sem no entanto largar o “tacho”.
Demonstrando inequivocamente a massa de que é feito, Passos Coelho manifesta em privado a sua vontade de desistir e abandonar o barco. Desesperado, o Relvas tenta demovê-lo ("ainda não tive tempo para roubar reestruturar o que queria, espera mais uns meses..."). Mais uma vez mostrando ser um homem de convicções profundas, Passos volta a mudar de intenção.
O PSD convoca então duas reuniões: uma para segunda, 17, e outra para quarta, 19. O país espera, ansioso. Será o fim da coligação?
A montanha pariu um rato. O resultado das duas reuniões é a solicitação ao CDS de uma... reunião.
Quinta, 20 – O CDS aceita imediatamente a reunião com o PSD.
(Entretanto, meio assustado com a reacção maciça e – para eles – inesperada do povo português, o ministro das finanças alemão recebe o seu aluno dilecto, o Gasparzinho, e tenta convencer-nos de que o nosso descredibilizado ministro das finanças continua a ser o homem certo no lugar certo...)
Sexta, 21 – O “prusidente da junta” reúne o Conselho de Estado, para tentar compreender o que se passa, apesar de a maioria dos conselheiros já se ter manifestado publicamente. A verdade é que, seja por ter uma compreensão “ao retardador”, por considerar esta crise menos grave do que o célebre estatuto político-administrativo dos Açores, ou por concordar com esta medida do governo, Cavaco tem-se mantido de boca fechada.
Do mal, o menos: assim não entra mosca, nem sai merda asneira… 

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