A propósito do discurso do Presidente da República, apetece-me fazer alguns comentários.
O primeiro é que não o ouvi, porque há muito tempo que considero que não vale a pena. Cala-se quando deveria falar e quando fala só diz banalidades.
Seja como for, como os nossos media acham que não há neste desgraçado país nada mais importante para fazer do que comentar banalidades - sejam de quem for e, por maioria de razão, do nosso "prusidente" -, qualquer pessoa minimamente atenta ao que a rodeia não consegue evitar ser matraqueada com a verborreia de tantos (pseudo) jornalistas e comentadores e, sendo assim, já me feriram os ouvidos dezenas de vezes alguns trechos do tal discurso.
As palavras do homem que disse que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas; que se insurgiu contra umas supostas forças de bloqueio; que se queixou de que não o deixavam trabalhar; que dedica dez minutos por dia à leitura de jornais, porque tem mais que fazer; que criou o monstro que mais tarde abominou; que desejou a morte dos funcionários públicos para assim o Estado poder deixar de lhes pagar; que afirmou que os agentes políticos incompetentes expulsam os competentes, apesar de ser o político com mais anos de exercício depois do 25 de Abril; que acreditou (?) nas palavras de Dias Loureiro de que nada tinha feito de ilegal no grupo SLN; que insinuou que o Sócrates lhe andava a vasculhar nos computadores; que já disse umas trezentas vezes que Portugal está numa situação insustentável, mas que apesar disso nada faz para o evitar; que afirmou, acerca das escandalosas mais valias que recebeu dos seus amigos do BPN, que terá que nascer duas vezes quem quiser ser mais honesto do que ele; que acha que os 800 euros que a mulher recebe de reforma (obviamente, porque não trabalhou/descontou para mais) não lhe chegam para viver, tendo ele que a sustentar (enquanto espera que morra?...); que há dois anos dizia que havia limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos; que achava que o corte dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e dos pensionistas era uma violação básica da equidade fiscal e que, depois disso, promulgou dois orçamentos que os cortam; que fica extasiado com o suposto sorriso de umas vacas a pastar, ao mesmo tempo que cada vez mais pessoas passam fome; que se queixa de que dez mil euros não lhe chegam para viver, apesar de ter cama, mesa e roupa lavada (e carro e motorista, e segurança e carradas de ajudantes pagos por nós...); as palavras desta personagem tragicómica, realmente, não valem grande coisa.
E menos ainda valem os seus actos...
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