sexta-feira, 2 de março de 2012

Desemprego: de preocupação em preocupação... até ao descalabro final

Em Janeiro igualámos a Irlanda. Em Fevereiro, como se há-de ver, ultrapassamos a Irlanda e os 15%. Entretanto, Pasoss Coelho "acompanha a situação com atenção e preocupação", ou seja, um zero absoluto.
Relativamente ao desemprego jovem, ele já tinha pensado nisso (acompanhava com atenção e preocupação...), mas foi preciso a Comissão Europeia fazer alguma coisa para que cá se começasse a falar no assunto.
De qualquer forma, do que precisamos não é de diminuir o desemprego jovem, mas sim o desemprego. Aliás, é muito mais preocupante o desemprego entre as pessoas mais velhas do que entre os jovens. Ou não será?
Se o que aí vem forem subsídios às empresas para estágios com jovens, como é previsível, isso só contribuirá para aumentar ainda mais o desemprego entre os "não jovens", porque as empresas inevitavelmente substituirão os segundos pelos primeiros.
Do que precisamos é de políticas que permitam que se criem empresas e que estas empreguem mais pessoas.
Como? É simples: importamos quase tudo, então temos que começar, mais do que a exportar, a produzir o que importamos, para diminuirmos as importações. A começar pelo mais básico, os alimentos.
Certo, Cavaco? Foste tu quem começou a dar cabo disto, lembras-te? Trocaste o nosso tecido produtivo pelos fundos comunitários e disseste-nos que íamos passar a ser um País de serviços, não foi? Pois aqui tens o resultado...
Nasceste com o dito virado para a lua, essa é que é essa. O governo do bloco central, chefiado pelo Mário Soares, pôs as contas em ordem. Depois tu chegaste, acabaste com a coligação, ganhaste as eleições (como o PS as ganhará se daqui por um ano esta coligação cair) e governaste 10 anos em tempo de vacas gordas, recebendo os muitos milhões da Europa em troca da destruição do nosso tecido produtivo.
O povo, coitado, deslumbrado com o dinheiro fácil, convencido de que tinha entrado no clube dos ricos, deixou-te dar cabo disto tudo e alguns ainda hoje estão convencidos de que foste um grande primeiro-ministro. 
A agricultura quase acabou, mas isso até era bom, porque a terra não era fértil. Nas pescas, subsidiaste o abate de barcos. Tudo bem, nos países desenvolvidos as pessoas trabalham no sector terciário, não no primário. Portugal ia ser um País de serviços, não era? Na escola, os professores receberam ordens para passarem toda a gente, nada de chumbos, e Portugal passou a ser, da noite para o dia, um País de gente culta e letrada.
Depois, os governos do PS continuaram pelo mesmo caminho. O dinheiro da Europa continuava a entrar, havia que "deixar obra". Ainda hoje, quando se avalia o trabalho de um político, diz-se que ele tem "obra feita" (leia-se obra de betão).
Os bancos, em vez de financiarem a economia, as empresas, por forma a que estas se modernizassem, preferiram financiar as grandes obras públicas e as parcerias público-privadas, ao mesmo tempo que impingiram créditos até à náusea às famílias, contribuindo para o seu sobreendividamento e para o grande aumento das importações, já que a grande maioria dos bens de consumo vinha (e vem) de fora. A construção civil cresceu também desmesuradamente, a ponto de termos hoje em Portugal uma casa para cada duas pessoas, milhares e milhares delas desabitadas. Carros, ainda mais. Telemóveis, quase dois por pessoa. Só um cego é que não via que era uma questão de tempo até chegarmos a isto. 
O que vale é que o primeiro-ministro acompanha o aumento brutal do desemprego com atenção e preocupação. Estamos à beira do abismo, mas Passos Coelho está decidido a dar um passo em frente...

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