A esmagadora maioria (mas não a totalidade...) dos especialistas da Língua Portuguesa condena o uso do neologismo "massivo", justificando que já temos "maciço", esta sim, em Português escorreito, a derivação genuína de "massa".
No entanto, segundo Conceição Saraiva, "massivo" é legítimo num determinado contexto (v. nota "A classificação morfológica de tal", http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=23830), sendo ilegítimo em todas as restantes situações.
Também C.R. (nota "Sobre o advérbio de modo maciçamente", http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=16530) faz referência ao uso de "massivo", não como sinónimo de "maciço", mas sim como "substantivo que representa um conjunto que não é passível de ser dividido em partes singulares que se possam enumerar, contar".
Fará sentido "importar" a palavra para lhe dar apenas o significado restrito descrito pelos dois especialistas citados, sem a aceitar no sentido em que é comummente utilizada? Não poderá também, naquele caso, ser substituída por "maciço"? Ou então, pura e simplesmente, como em tantos outros casos (até porque já há alguns dicionários que a registam), parar de lutar e aceitar pura e simplesmente o a introdução do "massivo" tão do gosto dos nossos jornalistas, que no fundo são os principais responsáveis pela sua generalização?
Há coisas que, por mais que não queiramos, são inevitáveis...
Se até "alcoolémia" e "bué" já vêm registadas nalguns dicionários...
Madrugada de 25 de Abril de 74, parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém: "Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!" – Salgueiro Maia. Todos os 240 homens formaram de imediato.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário