quarta-feira, 6 de junho de 2012

Afirma Passos


No Expresso:
1.      Portugal está hoje mais forte
Hã? Podes repetir?
2.      Ao fim de um ano de Governo, os portugueses já não estão perante o abismo
Pois não. Já caíram.
3.      A economia beneficia da mudança mais importante dos últimos 50 anos
Ou seja, a maior taxa de desemprego desde que já registos.
É bom para as empresas, que assim dispõem de mão-de-obra abundante e, consequentemente, baratinha.
4.      Portugal está muito mais preparado para receber investidores
Sempre a mesma m. dos investidores estrangeiros. Há uma série de anos Portugal teve alguns investidores estrangeiros por causa da sua mão-de-obra barata. Depois apareceram os países de Leste, ainda mais baratos, e os “investidores estrangeiros” foram para lá. Agora o nosso governo está a fazer tudo para os trazer de volta. Como? Baixando os salários, criando uma enorme bolsa de desempregados e retirando em menos de um ano direitos laborais que demoraram décadas a conquistar. Estamos, portanto, a tentar concorrer directamente com a China. Escusado será dizer que ainda não começámos e já perdemos …
5.      Vamos iniciar um novo ciclo de investimento
Quando?
6.      Portugal poderá recuperar o dinamismo da sua procura interna, assim que tenha realizado o seu ajustamento interno também
Deixa-me adivinhar, daqui a uns três anitos, certo?
7.      Portugal está a conquistar progressivamente a confiança dos mercados
Mal Benditos mercados, que com tanta confiança nos estão a fazer o mesmo que o cigano fez ao burro…
8.      Os últimos dados estatísticos permitem acreditar que algo está a mudar na direcção de um ciclo de retorno ao investimento e ao crescimento
Estatística: a ciência que diz que se eu comi um frango e tu não comeste nenhum, teremos comido, em média, meio frango cada um.
Estatística: a arte de torturar os números até que eles confessem
9.      A mudança em curso é talvez mesmo a mais relevante desde que Portugal integrou a Associação Europeia de Livre Comércio, em 1960
Eu ainda cá não estava nessa altura. O que é que aconteceu? Morreu muita gente de fome?...
Livre comércio? Com a Alemanha a vender e os outros a comprarem, que raio de comércio é este?
10.  Hoje é patente, mesmo para os mais cépticos, que o Governo tem uma ideia clara para a economia portuguesa, que passa por mais democracia económica e diversificação nos mercados
O governo tem o quê? Ah, sim? E qual é? Dar cabo do resto? Pois, só se for… Misturar na mesma frase palavras como “democracia” e “mercados”, só pode ser para a gente se rir um bocado…
11.  As reformas estruturais estão num caminho correcto em Portugal
Quais? A viver à custa do Estado, entre activos, desempregados e reformados, já são mais de cinco milhões. Empresas (e empregados), cada vez há menos. A Saúde, até há pouco tempo a única coisa em que conseguíamos pedir meças aos países mais avançados, caminha para o desastre. Ah! Já percebi, Cavaco disse, a propósito dos funcionários públicos: “Só nos resta esperar que acabem por morrer.” Estamos portanto a acelerar um bocadinho as coisas, não é verdade?
12.  Reformas no caminho certo no mercado laboral, na mobilidade de pessoas e bens, proporcionadas com as reformas que estão também a emergir do arrendamento habitacional, na gradual eliminação dos tradicionais défices da economia portuguesa, como por exemplo na área energética e dos transportes, nos contratos de concessões, na reforma do mapa judicial e nos códigos de justiça, na reforma autárquica, na eliminação das barreiras ao investimento, na eliminação ou redução de custos de contexto, como é o exemplo do 'licenciamento zero', na reestruturação das empresas públicas, principalmente no sector dos transportes, na exigência de mais concorrência no mercado, entre muitas outras matérias
Ufa! Tens a certeza que fizeste isto tudo? Como dizia o outro, “modéstia à parte”. Ó povo ingrato…
13.  É indiscutível o êxito do processo de privatizações
Pelo menos para quem compra. Quanto ao País, o défice continua a aumentar…
14.  Elogio à grande capacidade de resistência dos portugueses
Como disse acima, somos como o burro do cigano…
15.  Têm suportado, em nome do interesse nacional e de uma esperança no futuro, grandes sacrifícios…
Em nome do interesse nacional, não é? A tua sorte é que o povo é sereno…
16.  … Como o fazem os nossos desempregados
Mau! Então mas o desemprego não era uma oportunidade para se mudar de vida?
17.  A zona euro atravessa um momento crucial, os próximos três meses serão decisivos
Ainda três meses disto? Olha o burro do cigano…

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