sexta-feira, 15 de junho de 2012

E que tal... governar?

Agora que terminou o estarrabaço em torno do caso Relvas/Público, felizmente sem consequências de maior (‘tá bem, demitiram-se o adjunto do primeiro e a jornalista do segundo, mas trata-se de arraia miúda… e qualquer deles há-de ser compensado, mais dia, menos dia), podemos finalmente perguntar/afirmar:
Pressionar a comunicação social, para quê?
Por um lado, ela não só não incomoda ninguém, como é absolutamente bajuladora de todos os governos.
Porquê?
Porque isso é vital para a sua sobrevivência.
A comunicação social vive da publicidade, certo?
Ora, esta é essencialmente paga por meia dúzia de grandes empresas: bancos, grande distribuição, telecomunicações e energia. Para além do próprio Estado, claro.
E estas grandes empresas beneficiam (e querem continuar a beneficiar) de relações privilegiadas com o poder político.
Além disso, são elas próprias proprietárias ou accionistas da maioria desses órgãos de comunicação social…
Por outro lado, o povo é sereno.
Há mesmo quem lhe chame manso.
Na verdade, as pessoas não se indignam com nada, suportam tudo e mais alguma coisa, como se está a ver com esta coisa da troika, do «além» da dita, do «o povo não aguenta mais sacrifícios», do «é um total disparate que queiramos cortar os subsídios de férias e de Natal», do «vou criar 150 mil postos de trabalho», etc., etc.
Se o ditador-com-nome-de-zurrapa-que-ganhou-um-concurso-de-popularidade-na-tv viesse de novo ao mundo (vade retro Satanás!) diria com certeza:
– Porque é que me dei ao trabalho de criar a pide e a censura, se «o povo suporta todos os sacrifícios por amor à pátria»?
Por isso, volto à questão inicial: para quê pressionar a comunicação social?
Para quê, senhor ministro Relvas?
Para quê (ainda que fora de tempo), senhor ex-primeiro ministro Sócrates?
E se vocês não vissem tantos filmes e passassem simplesmente a ocupar o vosso tempo a… governar?
Dava jeito… e o povo ainda era capaz de agradecer.

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