terça-feira, 5 de junho de 2012

O António Borges ganha 225 mil e paga zero de impostos*

Eu adoro bicharada.
Tanto, que faço minha a célebre frase de Alexandre Herculano:
"Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais".
O único animal à face da Terra capaz de morrer tanto de fartura como de fome é o Homem (não o mesmo homem, claro).
Em todas as outras espécies, havendo comida disponível e saúde, nenhum animal passa fome. Muito menos algum morre de fartura.
Porque, ao contrário do Homem, um animal apenas necessita de ter a comida indispensável para viver.
O Homem, não.
Tem "ambição".
Quer sempre mais, nunca está satisfeito com o que tem.
Há quem diga que há dois tipos de pessoas:
As ambiciosas e as invejosas.
As ambiciosas são as que alcançam a riqueza.
As invejosas são as outras.
Portugal é um País de invejosos…
Há dois tipos de ambiciosos:
1. Aqueles que alcançam a riqueza em consequência de a terem criado também para a sociedade;
2. Os outros.
Os primeiros enriquecem a sociedade.
Os segundos empobrecem-na.
Estes são, sempre foram e, pelos vistos, vão continuar a ser claramente dominantes neste desgraçado País.
São excelentes (excelentíssimos...), mas nunca criaram um tostão de riqueza que fosse.
Por exemplo, os economistas: temo-los para aí às dúzias, quase todos ostentando currículos impressionantes, com mestrados, doutoramentos, MBA, e muitos até já com livros publicados (que provavelmente ninguém leu).
Contam-se pelos dedos os que alguma vez na vida foram capazes de criar uma simples empresa.
Muito menos uma empresa capaz de fabricar um produto daqueles que se exportam ou que substituem importações, criando de caminho uma série de empregos qualificados e bem remunerados.
E muitíssimo menos uma daquelas que aparecem destacadas nos "rankings" de satisfação dos trabalhadores.
Economistas “excelentíssimos” desses há poucos, muito poucos.
Mas economistas que, antes de ostentarem os tais currículos impressionantes, no início das suas carreiras, começaram por se filiar num partido político, preferencialmente num dos do "arco do poder", desses há por cá muitos.
Alguns andaram uns anos pelo Parlamento, outros “esbanjaram” o seu saber nas Universidade, até que algum iluminado se lembrou de os chamar a tarefas governativas.
No desempenho dessas tarefas queixam-se muito de que ganham pouco e que só lá estão por amor à nação.
No final das respectivas comissões – e apesar de serem normalmente rotulados de incompetentes –arranjam sempre um tacho são invariavelmente chamados a desempenhar cargos importantes e (agora sim!) muitíssimo bem remunerados, em empresas públicas ou privadas.
É injusto dizer isto dos economistas, dirão alguns.
Até porque os advogados são os que têm pior fama, com as suas leis feitas à medida para safar clientes cheios da massa.
Então e os gestores, tanto os que gerem as empresas públicas, como os das privadas que fazem parcerias com o Estado?
E os engenheiros (incluindo os que acabam os cursos ao domingo)?
E os de Relações Internacionais?
E os…
E entretanto o País continua a empobrecer,  a austeridade a aumentar, a Educação, que já não era grande coisa, a piorar, a Saúde, que até era das poucas coisas que nos permitiam ombrear com os países mais avançados, a piorar, a Justiça (Ah! Ah! Ah!), na mesma, que não se pode cair mais quando já se bateu no fundo, e esta cambada dos BPNs e dos BPPs e dos Freeports e das PPPs a enriquecer…
Gosto tanto da bicharada…

*É esta a "sumidade" que defende que reduzir salários "é uma urgência"...

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