Rui Moura Santos garante que a decisão do acórdão vai para além da comparação entre o público e o privado.
"A crítica parte de um postulado errado. O acórdão não se baseia na comparação entre titulares de rendimentos de origem pública ou privada. (...) Ora os rendimentos não são só públicos ou privados, porque antes de mais, esses são os rendimentos do trabalho e há outros rendimentos que estão em causa também, como os rendimentos do capital".
O presidente do Tribunal Constitucional defendeu ainda que o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho reagiu "muito a quente" quando disse que a solução passava por alargar os cortes dos subsídios ao sector privado.
Pois é, Passos, tens que aprender a ler bem, em vez de tresleres. Há que cortar nos rendimentos do capital e não apenas nos do trabalho, certo? Assim é que se vê a coragem de um político. É que com esta crise toda os ricos têm enriquecido ainda mais, ao passo que os pobres cada vez têm que viver com menos.
O argumento é sempre o mesmo: “Se taxarmos mais os ricos eles vão-se embora”. Com esta chantagem inaceitável, têm os ricos não só evitado que os governos lhes cobrem os impostos devidos, como até desviado verbas significativas de áreas sociais para os bancos e outras grandes empresas.
Chegámos mesmo ao ponto absurdo de nalguns países, como os EUA ou a França, serem os próprios milionários a pedirem para os respectivos governos lhes cobrarem mais impostos. Os nossos, por enquanto, ainda não chegaram a tanto, optando antes pelo mais bruto e reles cinismo, com observações do estilo: “não me considero rico, sou trabalhador”…
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