Alguns dos comentários ao post "Alemães: estúpidos ou hipócritas?..." demonstram que os seus autores não o leram.
Terão ficado pelo título.
Ou então tresleram.
Houve quem chamasse aos portugueses (em última análise, a eles próprios...) tugas, indisplinados, incultos, calaceiros e corruptos. Ao País, piolheira e choldra, entre outros mimos.
Enfim, a típica maledicência portuguesa, à qual, como bom português que pretendo ser, também não escapo de vez em quando.
O nosso problema não é falta de trabalho, porque segundo as estatísticas (basta googlar e os resultados saltam à vista...) os portugueses trabalham mais do que os alemães.
Os milhões de portugueses da diáspora também o comprovam desde há muito.
O nosso problema foi há muito (mil anos antes da própria nacionalidade) claramente identificado pelos romanos: "Há nos confins da Ibéria um povo que não se governa nem se deixa governar".
Ou seja: o nosso problema é essencialmente a (falta de) organização.
Somos excelentes a desenrascar, péssimos a organizar.
Um exemplo, entre tantos possíveis: alcatrocar uma estrada e passado pouco tempo parti-la toda para fazer o saneamento. É novidade para alguém?
Claro que a par disto existe, profundamente enraizada em nós, a cultura da cunha, do favorecimento e do compadrio.
A promiscuidade entre a política e os negócios.
Perante a total inoperância da justiça e a facilidade de corromper os detentores de cargos públicos, a(s) mafia(s) portuguesa(s) nem precisa(m) de utilizar métodos violentos.
Trata-se de um "polvo" à portuguesa, de brandos costumes.
Mas que nem por isso movimenta valores menos significativos.
Senão, vejamos esta notícia do DN, do passado dia 29 de Abril, relativa ao BPN:
"A fraude que pode atingir 8,3 mil milhões"
E agora, só por curiosidade, comparemo-la com esta, também do DN, do dia 15 de Junho de 2009:
"Constâncio: fraudes no BPN são inferiores a mil milhões"
Palavras para quê? Cada um que tire as suas conclusões...
Claro que o Cavaco não tem nada que ver com isto. Os burlões terão sido Oliveira Costa, Dias Loureiro, Duarte Lima ou Arlindo Carvalho, para só referir os mais conhecidos.
Mas lá diz o ditado: "Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és"...
Voltando à vaca fria (para alguns mais propriamente uma vaca sagrada), a toda poderosa Alemanha: em lado nenhum afirmei que não devemos pagar as dívidas, ou que os alemães devem continuar a financiar o nosso nível de vida.
O que afirmo é que é necessário dar condições a quem deve para que possa pagar. Sob pena de entrar em bancarrota...
E também digo que a União Europeia deveria ser um espaço de solidariedade e não apenas um mercado comum, que obviamente favorece as economias mais fortes e em que os mais fracos apenas entram se tiverem dinheiro para comprar...
Com o desmantelamento diário das nossas empresas, com o avolumar do desemprego e o aumento contínuo dos impostos, está visto que não vamos lá.
Segundo a teoria económica denominada "curva de Laffer", a cobrança de impostos, ao atingir um nível demasiado elevado, contrai de tal forma a economia que leva a uma diminuição das receitas.
Uns dizem que já chegámos a esse ponto.
Outros que ainda não, mas quase.
A ver vamos, como diz o cego.
Na certeza, porém, de que o pior cego...
Pois.
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