terça-feira, 8 de maio de 2012

Casa onde não há pão...

Por estes dias o que mais vemos é gente de todos os quadrantes a apontar o dedo aos supostos responsáveis por este (pré) caos a que chegámos.
Tão facciosos são os que dizem que o “bochechas” tem a culpa de tudo (ressabiamentos dos tempos da descolonização, quase sempre), como os que dizem que a culpa é do PSD e do CDS (se calhar queriam que o PS governasse ad aeternum).
Uns e outros não conseguem ver, porque o impede as lentes cor-de-laranja ou cor-de-rosa com que teimam em observar a realidade, que o PS e o PSD são as duas faces da mesma moeda.
Quanto ao CDS, é uma mera muleta de que o PSD dispõe quando não tem maioria, vantagem de que o PS não beneficia em idênticas circunstâncias. Os dois partidos mais à esquerda, por não o quererem, não contam para a governação. Assim, estamos "condenados" a uma alternância PS/PSD.
Estamos todos fartos de saber que estes dois partidos têm um discurso na oposição e uma prática muito diferente na governação. Na oposição, dizem o que acham que as pessoas querem ouvir, contestam, "opõem-se", numa palavra. Ah!, e prometem mundos e fundos. No poder, fazem tábua rasa das promessas e submetem-se a dois poderes, um interno e outro externo.
Cá dentro, manda o "grande capital", expressão irremediavelmente associada à "cassete" comunista, mas que nem por isso deixa de reflectir a realidade. Bancos e grandes empresas, nomeadamente de construção, tendo como muletas os grandes escritórios de advocacia, têm ganho muitos milhões com as parcerias/promiscuidades estabelecidas com o Estado.
Estes escritórios de advogados representam (bem) o "grande capital" e (mal) o Estado, sendo muitas vezes responsáveis pela elaboração de leis cheias de buracos, à medida dos interesses dos poderosos e altamente lesivas do interesse geral.
O poder económico e financeiro tem subornado desavergonhada e impunemente o “poder político” e obtido lucros colossais à custa do irremediável empobrecimento do País. Isto acontece tanto com o PS como com o PSD/CDS. As diferenças entre uns e outros manifestam-se habitualmente ao nível da semântica, ou em questões como o aborto e os gays (resolvida a questão do casamento, espera por melhor oportunidade a da adopção).
Por vezes, vêm os saudosistas dos tempos da "outra senhora" afirmar que dantes não havia nada disto. Para estes, não seria mau verem o documentário que a RTP 2 passou recentemente às duas da manhã (!), chamado "Os donos de Portugal".
Artigo de opinião do i:
http://www.ionline.pt/opiniao/os-donos-portugal
links do documentário:
http://www.donosdeportugal.net/
http://vimeo.com/40658606
Descontada a visão parcial dos bloquistas responsáveis pelo documentário (chamem-lhe facciosismo, se quiserem...), vale mesmo assim a pena vê-lo e reflectir um bocadinho sobre os factos lá relatados.
Ah!, já me esquecia do outro poder, o externo. Aquele que, desde sempre e não apenas após a nossa entrada na CEE, faz dobrar a espinha aos nossos governantes. Trata-se do poder dos países mais fortes, historicamente a Inglaterra, a França, a Alemanha, mesmo a Espanha, pela sua proximidade e, fora da Europa, acima de todos, os EUA.
Este poder tem também muito (muitíssimo!) que ver com capital e finança. Aliás, tem essencialmente que ver com isso. Soa a "cassete"? Paciência. Também a palavra "camarada" e nem por isso estamos impedidos de a utilizar.
Quanto à palavra “democracia”, trata-se, mais do que de um formalismo, de um autêntico logro, já que para o “capital” é indiferente que governem estes ou aqueles.
A todos submete, a todos corrompe.

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