E era, mas cadê os outros?
Quando ouvi este marmanjo do Relvas dizer que não "tinha ideia" de ter recebido sms e clippings(anglicismo "fino" para designar recortes de jornal), concluí imediatamente, como é óbvio, que ele estava a mentir.
Fez-me lembrar outra triste cena de aldrabice de outro político, o Clinton, quando afirmou:
"Não TENHO nenhum caso com a menina Lewinsky".
Tecnicamente não mentiu, porque na altura JÁ não tinha um caso com ela.
Tinha tido...
Esperteza saloia...
Agora o Relvas, quando disse que não tinha ideia também não mentiu formalmente, porque se o caso não morresse por ali podia sempre, mais tarde, alegar esquecimento.
A memória, como todos sabemos, é selectiva...
Só que, como tão bem diz a sabedoria popular, "a mentira tem pernas curtas" e "apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo".
De forma que este (ainda) ministro vai tropeçando de mentira em mentira, na tentativa desesperada (e, fosse isto um país a sério, vã) de se agarrar ao poder.
Isto é importante?
Para mim é, para os apoiantes dele, pelos vistos, não.
Só era se tivesse sido com o Sócrates.
Também os compreendo: o ex-primeiro-ministro era tão aldrabão e aguentou-se seis (6!) longos anos no poder, porque é que o Relvas, não sendo mais aldrabão do que ele (nem menos), não se há-de aguentar?
Pois 'tá claro, neste País de ciganos o exemplo tem que partir sempre do outro lado, nunca do nosso.
Aguenta-te Relvas, que enquanto o pessoal estiver entretido a dar-te bordoada, folga o Coelho!
Entretanto (um bocadinho de demagogia barata... e de dor de cotovelo), os gestores do PSI-20 ganham 44 vezes mais que os trabalhadores.
Em 2010 ganhavam "só" 37 vezes mais.
Ou seja, uma maneira muito nossa de repartir os sacrifícios em tempo de crise.
Na Espanha a diferença é de 24,7.
E então? Nalguma coisa teríamos que ser melhores que eles, não?
Pois claro, os nossos gestores têm mais categoria!
Oh, oh, põe categoria nisso...
Quanto aos CEO das 350 maiores empresas, recebem 231 vezes mais que a média dos seus trabalhadores!
Conclusão: isto é um País de invejosos.
Siga o baile, que ainda não batemos no fundo!
Afinal, ainda não há gente a morrer de fome.
Pois não?...
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