quinta-feira, 23 de agosto de 2012

De fa[c]to, conta[c]to leva cê

Fui ontem dar um mergulho à Praia do Salgado – onde na véspera tinham tragicamente morrido afogados avô e neta – e vi lá afixado, na parede do balneário, um cartaz com informações úteis, que dizia em letras garrafais: CONTATOS. Seguia-se uma lista de números telefónicos da polícia, bombeiros, etc. 

Ainda não entendi se algumas pessoas são mesmo estúpidas ou se simplesmente gostam de se armar em engraçadas. Na segunda hipótese, parece-me que se deveriam abster de o fazer em documentos pagos com o dinheiro de todos nós.

Se o que está em causa no (des)acordo ortográfico é essencialmente a eliminação de consoantes mudas, qualquer será a parte da palavra MUDAS que essas pessoas ainda não entenderam? Se calhar, há pessoas que não pronunciam o «c» de contactos, mas o (des)acordo não diz que cada qual pode escrever ou não essas consoantes, conforme as pronuncie ou não.

Há algum tempo, participei numa disputa acerca da forma correcta de escrever a palavra «quiser», em que um dizia que se escrevia com «s» e outro que era com «z». Um terceiro pretendeu resolver a contenda, sentenciando que «é como se quis[z]er».

Noutra ocasião, vi escrito «de fato», em fez de «de facto».

Já para não falar na velha história do «cágado» versus «cagado».

O (des)acordo já tem pontos fracos que cheguem, não lhes inventem mais alguns!

Ou inventem, para a gente se rir um bocado...

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