“Os desempregados já podem acumular o subsídio com um salário”
Esta medida tem o mérito de acabar com aquelas situações em que os desempregados recusavam um emprego porque ganhavam mais ficando com o subsídio. Digamos que é menos um argumento para os que acham que os desempregados são uma cambada de calaceiros que não trabalham porque não querem.
Junta-se à de fazer trabalhar os beneficiários do RSI 15 horas por semana. Também esta tem o mérito de forçar a “canalha” a inscrever-se nos Centros de Emprego. Além de obrigar estes também calaceiros a terem que fazer alguma coisa em troca do que recebem.
São medidas populares para a direita, que acha que todos os que não trabalham são preguiçosos e deveriam ser deixados a morrer de fome.
A grande vantagem destas duas medidas é que não têm desvantagens. E até tem algumas vantagens para os nossos empresários. Senão vejamos:
1. Os do RSI vão trabalhar 60 horas por semana. Como em média ganham 92 euros por mês, dá 1,5 por hora. Nada mau para quem beneficiar deste trabalho, por muito desqualificado que seja... Insere-se na lógica (cada vez mais) dominante neste País, que é a de pagar salários quanto mais baixos melhor.
2. Quanto aos desempregados, dois empresários amigos (ou um com mais que uma empresa) despedem os respectivos trabalhadores e contratam seguidamente cada um os do outro.
3. Relativamente à contratação de jovens desempregados, também aqui os patrões vão beneficiar, já que ficarão isentos da TSU. Antevê-se, portanto, despedimentos entre os trabalhadores mais velhos, a fim de darem lugar à rapaziada. Antevê-se igualmente alguma dificuldade em conciliar esta troca de empregos entre pais e filhos com o facto de os nossos jovens serem, no mundo, dos que mais tarde saem da casa materna.
Quanto à questão de fundo, o aumento astronómico do número de desempregados, estas medidas não atam nem desatam.
Pela simples razão de que as economias só criam empregos quando crescem.
Ora esse dia, em Portugal, ainda vem longe…
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